pouco antes, alguns momentos antes do amor,
o segredo de um medo, o pulso contente ... tão próximo e distante.
antes mesmo do desabrochar, do entender a luz do seu olhar,
de sentir a pele, os lábios, os seios, os silêncios ...
de emaranhar-me pelos seus cabelos,
entregar-me aos seus braços nus ...
mesmo antes,
quando as águas doces não supunham o encontro de um novo mar,
quando os poemas ainda não estavam escritos , as roupas vestidas,
os minutos sequer tramados, os cálices servidos, as flores colhidas,
os aromas sentidos...
antes ... tudo esperava você.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
66.
nasci com os cavalos,
nos ventos que passam pelas crinas respiro.
Olhos nos olhos,
bicho montado em pensamentos.
nos ventos que passam pelas crinas respiro.
Olhos nos olhos,
bicho montado em pensamentos.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
“você diz que meus olhos são como amêndoas"
um perfume de musgos,
música de cerâmica, madeira e flores.
sombra ocre
hora tarde
quando chego em casa.
o silêncio de um retorno sozinho,
o murmúrio da água que corre
pelo veio das plantas,
pelo corpo que deita,
pela luz que cai
pela lágrima calada.
pouco antes:
a rua, o inverno, a garoa, o metrô ...
uma partida.
você leva seus olhos dos meus,
eu deixo meus olhos sem os seus.
um azul sem amêndoas,
pequenas amêndoas que brilham no escuro
sem o azul ...
música de cerâmica, madeira e flores.
sombra ocre
hora tarde
quando chego em casa.
o silêncio de um retorno sozinho,
o murmúrio da água que corre
pelo veio das plantas,
pelo corpo que deita,
pela luz que cai
pela lágrima calada.
pouco antes:
a rua, o inverno, a garoa, o metrô ...
uma partida.
você leva seus olhos dos meus,
eu deixo meus olhos sem os seus.
um azul sem amêndoas,
pequenas amêndoas que brilham no escuro
sem o azul ...
9.
a boca aberta
os dentes
(luz) (lábios)
o sopro forte
as mãos fechadas
o fogo de teus olhos
incendeia o que trago em mim
olho no olho
pele na pele
respiração mesclada em um rio de ar
que percorre nossos corpos envolvidos
em uma febre eterna
lanço meus dias no teu fogo
bebo em você
como você bebe em mim.
os dentes
(luz) (lábios)
o sopro forte
as mãos fechadas
o fogo de teus olhos
incendeia o que trago em mim
olho no olho
pele na pele
respiração mesclada em um rio de ar
que percorre nossos corpos envolvidos
em uma febre eterna
lanço meus dias no teu fogo
bebo em você
como você bebe em mim.
desenho
deitados,
meu corpo nu
espelha o teu:
os ombros,
os braços entrelaçados,
as mãos leves,
as pernas soltas,
os pés sem chão ...
olhos azuis
olham-se em
olhos pretos:
um olhar despido de razão.
bebemos de nós mesmos
em carícias livres ... plenas ...
delineio teus suaves relevos,
beijo teus seios com sede, com amor ...
e em um gesto calado
a ponta do dedo, com delicadeza ,
desenha, muitas vezes,
os lábios de teu sexo ...
teus braços me abraçam forte,
tuas coxas apertam minha mão
e as palavras evaporam-se
sob olhos embrumados pelo nosso calor...
meu corpo nu
espelha o teu:
os ombros,
os braços entrelaçados,
as mãos leves,
as pernas soltas,
os pés sem chão ...
olhos azuis
olham-se em
olhos pretos:
um olhar despido de razão.
bebemos de nós mesmos
em carícias livres ... plenas ...
delineio teus suaves relevos,
beijo teus seios com sede, com amor ...
e em um gesto calado
a ponta do dedo, com delicadeza ,
desenha, muitas vezes,
os lábios de teu sexo ...
teus braços me abraçam forte,
tuas coxas apertam minha mão
e as palavras evaporam-se
sob olhos embrumados pelo nosso calor...
segunda-feira, 2 de junho de 2008
8.
o olhar que segue a fugitiva paisagem
através da janela do trem
os dedos que tramam as linhas dentro do tecido
que vai ser roupa e aquecer
o menino que bate bola no paredão
o sono do cachorro
a primeira hora da manhã
a tarde de domingo
o último gole da madrugada
o homem que fala para a multidão
o operário que caminha para uma cama vazia
o corpo que cai após o gozo
o rosto que vira de lado
as lágrimas escondidas da mulher
o espelho que reflete um desconhecido
que pertence a um sonho que não é seu
as letras escritas em uma carta de adeus
o único segundo
o último centavo
os sussurros nas igrejas
a confissão, o crime, o lamento,
o segredo forjado em um instante ...
os olhos que, entre sangue, urina e placenta,
olham-se pela primeira vez
o filho,
o respiro
a chuva fustigando o tempo
o mergulho nas escuras águas do mar
as árvores mais velhas das longínquas florestas
o primeiro astronauta, a mulher, quem escreve, o destino.
estar em pé ...
viver é só.
através da janela do trem
os dedos que tramam as linhas dentro do tecido
que vai ser roupa e aquecer
o menino que bate bola no paredão
o sono do cachorro
a primeira hora da manhã
a tarde de domingo
o último gole da madrugada
o homem que fala para a multidão
o operário que caminha para uma cama vazia
o corpo que cai após o gozo
o rosto que vira de lado
as lágrimas escondidas da mulher
o espelho que reflete um desconhecido
que pertence a um sonho que não é seu
as letras escritas em uma carta de adeus
o único segundo
o último centavo
os sussurros nas igrejas
a confissão, o crime, o lamento,
o segredo forjado em um instante ...
os olhos que, entre sangue, urina e placenta,
olham-se pela primeira vez
o filho,
o respiro
a chuva fustigando o tempo
o mergulho nas escuras águas do mar
as árvores mais velhas das longínquas florestas
o primeiro astronauta, a mulher, quem escreve, o destino.
estar em pé ...
viver é só.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Os sóis morrem ao sul.
Sim, silentes
como dois seios,
seios firmes e salgados.
E no banco traseiro,
Estofado quente, fofo
e branco…
O mal estirado preguiçosamente
sobre o banco traseiro…
Rumo ao sul migram
todas as palavras,
todos os sentidos, todos …
Todos os animais.
E a vida
- trapézio sem rede -
alcançada pelos amantes:
fugaz.
Sim, silentes
como dois seios,
seios firmes e salgados.
E no banco traseiro,
Estofado quente, fofo
e branco…
O mal estirado preguiçosamente
sobre o banco traseiro…
Rumo ao sul migram
todas as palavras,
todos os sentidos, todos …
Todos os animais.
E a vida
- trapézio sem rede -
alcançada pelos amantes:
fugaz.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
reencontro
é de água
seu olhar e o meu;
água de paixão,
que corre vidas
e traz de volta
a mão e o mar:
os dedos trançando a água que corre
e o sal.
um barco partiu.
deixei livros por ler.
por acariciar, seus longos cabelos…
deixei dias onde,
o abraço nu,
sons distantes,
a tarde,
seu quarto de solteira .
é noite…
guio sem destino
pela cidade vazia.
ouço “I heard you looking”
e me lembro de quando
nos olhamos pela primeira vez.
mas
rasgando tantos tecidos,
este olhar ainda brilha
como prata faca
e água.
seu olhar e o meu;
água de paixão,
que corre vidas
e traz de volta
a mão e o mar:
os dedos trançando a água que corre
e o sal.
um barco partiu.
deixei livros por ler.
por acariciar, seus longos cabelos…
deixei dias onde,
o abraço nu,
sons distantes,
a tarde,
seu quarto de solteira .
é noite…
guio sem destino
pela cidade vazia.
ouço “I heard you looking”
e me lembro de quando
nos olhamos pela primeira vez.
mas
rasgando tantos tecidos,
este olhar ainda brilha
como prata faca
e água.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Lua cheia
como um reflexo, Luz
de um sentimento distante,
ar que respira a tez
de estórias, trama de luz e glória.
pátio interno,
Córdoba, Málaga ou Havana,
líquido espelho
dentro da noite escura,
da tua pele morena, nua.
e os goles de água
descem por teu corpo emerso,
filetes de prata,
escreve-te este verso.
mas que nome recebe este corpo
que vem ao meu em um encontro secreto?
ou mesmo, quem sou eu sob esta lua
que rege as marés e os homens ?
o sangue circula diferente,
dilatadas narinas percebem outros cheiros,
teus seios tesos provocam a minha boca
e um novo jeito de amar é escrito em nossas peles.
não sou eu.
não és tu.
apenas um pleno giro prata
em torno da nossa casa ...
de um sentimento distante,
ar que respira a tez
de estórias, trama de luz e glória.
pátio interno,
Córdoba, Málaga ou Havana,
líquido espelho
dentro da noite escura,
da tua pele morena, nua.
e os goles de água
descem por teu corpo emerso,
filetes de prata,
escreve-te este verso.
mas que nome recebe este corpo
que vem ao meu em um encontro secreto?
ou mesmo, quem sou eu sob esta lua
que rege as marés e os homens ?
o sangue circula diferente,
dilatadas narinas percebem outros cheiros,
teus seios tesos provocam a minha boca
e um novo jeito de amar é escrito em nossas peles.
não sou eu.
não és tu.
apenas um pleno giro prata
em torno da nossa casa ...
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Havana
laranjas abertas,
líquido retido
em um leve tecido
dourado pelo sol
que morre entre os dedos
de tua canção.
dorso nu,
nuca que perfuma minha barba,
véu que revela uma cor morena
com perfume de canela.
e tua voz,
linha que vem de longe
e desfaz a trama do mar,
cheiro de sal,
brisa que acaricia as pedras antigas do casario
e vence as madeiras engendradas por tantos segredos.
meus braços cansados,
músculos que trouxeram tua cintura
para perto de mim.
um instante de alento
enquanto barcos puxam cordas,
levantam as velas por partir.
e nossos corpos,
queda de um desejo distante,
fuga por entre portos, cravos, ervas,
figos abertos, licores ímpares, tépidos perfumes ...
e um olhar que se confunde dentro de ti.
líquido retido
em um leve tecido
dourado pelo sol
que morre entre os dedos
de tua canção.
dorso nu,
nuca que perfuma minha barba,
véu que revela uma cor morena
com perfume de canela.
e tua voz,
linha que vem de longe
e desfaz a trama do mar,
cheiro de sal,
brisa que acaricia as pedras antigas do casario
e vence as madeiras engendradas por tantos segredos.
meus braços cansados,
músculos que trouxeram tua cintura
para perto de mim.
um instante de alento
enquanto barcos puxam cordas,
levantam as velas por partir.
e nossos corpos,
queda de um desejo distante,
fuga por entre portos, cravos, ervas,
figos abertos, licores ímpares, tépidos perfumes ...
e um olhar que se confunde dentro de ti.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
1.
O amor não se procura, encontra-se.
O amor não é escrito, é vivido.
O amor não se exige, conquista-se.
Ele não se educa, aceita-se.
Não se fala, sente-se.
Não se contesta, se é invadido.
Não se pede, recebe-se.
O amor não se entende, experimenta-se.
Quando ele chega, o amor não avisa, não se planeja,
sobe as montanhas como os exércitos famintos,
os cavalos sedentos, os olhos sob as sombras,
as mãos sem o calor do dorso quente da amada
que pede mais carinhos lascivos ...
O amor não é contido, contém.
O amor não é estancado, é hemorragia eterna ...
é a loucura
é o mais fundo giro pela noite escura
é a orgia da alma
é não ter medo da dor
é o nojo pelos dias comuns e inúteis
o braço que abraça
as pernas que levam à vertigem
as bocas abertas
os medos calados ...
é o sangue quente correndo pelas veias ,
pelos olhos vermelhos de paixão.
O amor é a minha matéria, o fogo que me sustenta
nele vivo,
nele morro
sem medo, sem nome ...
O amor é meu sentido, meu norte, meu começo, meu fim ....
O amor não é escrito, é vivido.
O amor não se exige, conquista-se.
Ele não se educa, aceita-se.
Não se fala, sente-se.
Não se contesta, se é invadido.
Não se pede, recebe-se.
O amor não se entende, experimenta-se.
Quando ele chega, o amor não avisa, não se planeja,
sobe as montanhas como os exércitos famintos,
os cavalos sedentos, os olhos sob as sombras,
as mãos sem o calor do dorso quente da amada
que pede mais carinhos lascivos ...
O amor não é contido, contém.
O amor não é estancado, é hemorragia eterna ...
é a loucura
é o mais fundo giro pela noite escura
é a orgia da alma
é não ter medo da dor
é o nojo pelos dias comuns e inúteis
o braço que abraça
as pernas que levam à vertigem
as bocas abertas
os medos calados ...
é o sangue quente correndo pelas veias ,
pelos olhos vermelhos de paixão.
O amor é a minha matéria, o fogo que me sustenta
nele vivo,
nele morro
sem medo, sem nome ...
O amor é meu sentido, meu norte, meu começo, meu fim ....
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