como flores despetaladas
por um inesperado vento
( pequenas pétalas suspensas no ar,
triste queda,
inevitável momento )
aquele amor morreu.
sincera promessa
que enlaçou dois corpos
desejosos por suas formas, cheiros e aluamentos:
aquele instante existiu.
na boca
a sede por líquidos distantes,
por um tempo que passou...
um vento passou ...
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
são sebastião
Existe um porto,
em são sebastião dos anjos,
que lembra uma infância…
pés no chão, tranças nos cabelos,
tardes morenas …
As pedras retardam o mar, a maré,
os beijos que não podem esperar.
Suas pernas correm e não precisam saber
o que querem.
Seus desejos fluem,
soltos cabelos…
em são sebastião dos anjos,
que lembra uma infância…
pés no chão, tranças nos cabelos,
tardes morenas …
As pedras retardam o mar, a maré,
os beijos que não podem esperar.
Suas pernas correm e não precisam saber
o que querem.
Seus desejos fluem,
soltos cabelos…
sábado, 17 de novembro de 2007
cibelle
cibelle descalça:
sandálias largadas ao sol, ao vento, em fuga.
na sombra teu corpo deita
vestido apenas pelas ramagens
desta árvore violeta,
aromas guardados de um sol incandescente...
entre os seios e as folhas
o ar passa tranquilo
e levanta leves perfumes:
carícias para tua pele, bálsamo para meu paladar.
Quando sozinho, nado pela correnteza
entre as águas e os rochedos de um próximo mar.
Deixo meu corpo entre o sol e o minério,
entre o fogo e o sal.
Mas ouço tuas palavras distantes:
figos abertos,
fôlego violento,
rios de fogo,
sede de você:
Dorso tigrado entre luz e sombra,
pernas, levemente abertas,
deixam perfumes violentos pelas folhas sozinhas...
E teus sonhos têm abraços nus, bocas abertas,
dedos em carinhos, longos dedos deitados próximos ao segredo
de teu sexo.
Tuas mãos afastam as coxas macias,
As pálpebras fecham os olhos eclipsados,
A boca pede nossos líquidos mesclados
E um gozo de orvalho cai sobre as folhas caídas.
sandálias largadas ao sol, ao vento, em fuga.
na sombra teu corpo deita
vestido apenas pelas ramagens
desta árvore violeta,
aromas guardados de um sol incandescente...
entre os seios e as folhas
o ar passa tranquilo
e levanta leves perfumes:
carícias para tua pele, bálsamo para meu paladar.
Quando sozinho, nado pela correnteza
entre as águas e os rochedos de um próximo mar.
Deixo meu corpo entre o sol e o minério,
entre o fogo e o sal.
Mas ouço tuas palavras distantes:
figos abertos,
fôlego violento,
rios de fogo,
sede de você:
Dorso tigrado entre luz e sombra,
pernas, levemente abertas,
deixam perfumes violentos pelas folhas sozinhas...
E teus sonhos têm abraços nus, bocas abertas,
dedos em carinhos, longos dedos deitados próximos ao segredo
de teu sexo.
Tuas mãos afastam as coxas macias,
As pálpebras fecham os olhos eclipsados,
A boca pede nossos líquidos mesclados
E um gozo de orvalho cai sobre as folhas caídas.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
chuva
Escrever é uma busca por encontrar palavras que digam o indizível.
Sempre falta, sempre é intangível, sempre o sentimento transborda do copo-palavra...
mas do líquido que é contido neste vidro ou cristal, bebemos e nos embriagamos ...
Este texto veio ontem e é uma tímida celebração da vida, esta chuva tão boa de se tomar.
"Eu me sinto vivo, quando no meu bairro,
no final da tarde de verão , a chuva vem chegando.
O vento fresco solta as folhas mais antigas e
carvalhos calados descançam o corpo.
A cor do dia se transforma de repente,
os cachorros latem e os sons parecem distantes…
É doce ver as moças a andar, ver o ritmo das saias
cadentes pelo jeito que só uma brasileira sabe andar,
os pés descobertos, as sandálias de dedo,
seus passos procurando abrigo, os risos soltos …
Tudo parece tomar uma dimensão,
tudo se torna finalmente real.
As pedras, as pequenas plantas que crescem em torno delas,
os telhados antigos, o canteiro de rosas, os olhos das crianças,
a palavra contida… tudo se torna real …
E nem é preciso chover…
São estes pequenos minutos antes da chuva que me dão uma verdadeira sensação de viver.
Tudo fica quieto, tranquilo, pois todos param,
toda a cidade espera o que virá, o futuro nunca esteve tão próximo…
As árvores têm as raizes mais densas,
os galhos esperam felizes a água fresca,
as mulheres esperam com tesão a água que molha seus pequenos vestidos de tecido pobre e revelam os seios,
as ancas, o sexo molhado pelo prazer da chuva que virá.
Os cachorros loucos uivam pela noite que vem
e querem a água que vai esfriar o dia quente no asfalto.
A velha louca pode enfim, na janela, o seu rosto refrescar.
E todos podem esquecer as palavras dos homens sérios e suas brigas cheias de razão.
E eu posso esquecer o meu pai. E eu posso esquecer o erro.
E eu posso esquecer o que eu preciso esquecer.
Estes pequenos momentos antes da chuva me enchem de vida e ela nem precisa cair.
Apenas o silêncio, apenas a quietude que ela impõe à cidade … isto me enche de prazer.
E eu estou sozinho, sem guarda chuva, sem para onde ir…"
Sempre falta, sempre é intangível, sempre o sentimento transborda do copo-palavra...
mas do líquido que é contido neste vidro ou cristal, bebemos e nos embriagamos ...
Este texto veio ontem e é uma tímida celebração da vida, esta chuva tão boa de se tomar.
"Eu me sinto vivo, quando no meu bairro,
no final da tarde de verão , a chuva vem chegando.
O vento fresco solta as folhas mais antigas e
carvalhos calados descançam o corpo.
A cor do dia se transforma de repente,
os cachorros latem e os sons parecem distantes…
É doce ver as moças a andar, ver o ritmo das saias
cadentes pelo jeito que só uma brasileira sabe andar,
os pés descobertos, as sandálias de dedo,
seus passos procurando abrigo, os risos soltos …
Tudo parece tomar uma dimensão,
tudo se torna finalmente real.
As pedras, as pequenas plantas que crescem em torno delas,
os telhados antigos, o canteiro de rosas, os olhos das crianças,
a palavra contida… tudo se torna real …
E nem é preciso chover…
São estes pequenos minutos antes da chuva que me dão uma verdadeira sensação de viver.
Tudo fica quieto, tranquilo, pois todos param,
toda a cidade espera o que virá, o futuro nunca esteve tão próximo…
As árvores têm as raizes mais densas,
os galhos esperam felizes a água fresca,
as mulheres esperam com tesão a água que molha seus pequenos vestidos de tecido pobre e revelam os seios,
as ancas, o sexo molhado pelo prazer da chuva que virá.
Os cachorros loucos uivam pela noite que vem
e querem a água que vai esfriar o dia quente no asfalto.
A velha louca pode enfim, na janela, o seu rosto refrescar.
E todos podem esquecer as palavras dos homens sérios e suas brigas cheias de razão.
E eu posso esquecer o meu pai. E eu posso esquecer o erro.
E eu posso esquecer o que eu preciso esquecer.
Estes pequenos momentos antes da chuva me enchem de vida e ela nem precisa cair.
Apenas o silêncio, apenas a quietude que ela impõe à cidade … isto me enche de prazer.
E eu estou sozinho, sem guarda chuva, sem para onde ir…"
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Tokyo
o tecido trançado veste a pele ainda molhada pelo banho,
os longos cabelos negros caem pesados sobre os ombros nus.
músculos rijos, morenos. seios acariciam o algodão …
somente o vestido cobre o corpo,
as pernas soltas, o ar entre as pernas, o perfume de tuas pernas…
ainda deitado, penso nos seixos negros dos jardins secretos.
vejo tantos desejos em teus finos olhos negros.
pela janela
amanhece em Tokyo, anoitece em minha terra…
os longos cabelos negros caem pesados sobre os ombros nus.
músculos rijos, morenos. seios acariciam o algodão …
somente o vestido cobre o corpo,
as pernas soltas, o ar entre as pernas, o perfume de tuas pernas…
ainda deitado, penso nos seixos negros dos jardins secretos.
vejo tantos desejos em teus finos olhos negros.
pela janela
amanhece em Tokyo, anoitece em minha terra…
para isso
paraíso por dentro… fluxos de rios quentes sem nexos.
a língua para isso. o rosa is a rose.
Os deuses ainda estão mortos.
Fora o zeus do teu zás.
a língua para isso. o rosa is a rose.
Os deuses ainda estão mortos.
Fora o zeus do teu zás.
3.
eu vivo entre o sol e as luas, os sonhos e o real, tristezas e alegrias.
poucas heras entre as pedras de uma quieta rua...
eu vivo entre os bêbados e as putas, os santos e as loucas,
o agora e o nunca.
poucas heras entre as pedras de uma quieta rua...
eu vivo entre os bêbados e as putas, os santos e as loucas,
o agora e o nunca.
as aguas das cidades
homens sozinhos,
guarda-chuvas fechados,
caminham sob a chuva
de um inverno errado.
as portas, caracóis metálicos,
ruidosos e voláteis, fecham imagens:
luzes noturnas, brilhos míopes,
corredores entre gritos de crianças,
cachorros na calçada, gatos nos telhados
e águas infiltradas entre as pedras.
as águas das cidades correm pelas sarjetas,
um brilho sujo e lento...
guarda-chuvas fechados,
caminham sob a chuva
de um inverno errado.
as portas, caracóis metálicos,
ruidosos e voláteis, fecham imagens:
luzes noturnas, brilhos míopes,
corredores entre gritos de crianças,
cachorros na calçada, gatos nos telhados
e águas infiltradas entre as pedras.
as águas das cidades correm pelas sarjetas,
um brilho sujo e lento...
domingo, 10 de junho de 2007
chamado
vem
abre meu peito com teus doces dedos
e arranca de dentro este coração tão cansado.
com carinhos lentos,
com as palmas banhadas em mel,
dilua o sangue intoxicado
e derrama o teu.
vem
como a leve luz que desabrocha
nos primeiros instantes da manhã,
como o vento inesperado
que em uma tarde quente de verão
traz as folhas soltas de outra estação.
vem
com os seios abertos
brancos e belos ...
escorrendo de suas pontas
as lágrimas de teu corpo...
deitando no meu,
o leve tecido do teu.
vem
E acabe com os dias comuns e inúteis
Incendeie meus livros
Inunde minhas roupas
Leve minha cabeça para onde só exista
o que transite por ti ...
Comprometa a minha sanidade
mas sacie esta interminável sede de paixão.
abre meu peito com teus doces dedos
e arranca de dentro este coração tão cansado.
com carinhos lentos,
com as palmas banhadas em mel,
dilua o sangue intoxicado
e derrama o teu.
vem
como a leve luz que desabrocha
nos primeiros instantes da manhã,
como o vento inesperado
que em uma tarde quente de verão
traz as folhas soltas de outra estação.
vem
com os seios abertos
brancos e belos ...
escorrendo de suas pontas
as lágrimas de teu corpo...
deitando no meu,
o leve tecido do teu.
vem
E acabe com os dias comuns e inúteis
Incendeie meus livros
Inunde minhas roupas
Leve minha cabeça para onde só exista
o que transite por ti ...
Comprometa a minha sanidade
mas sacie esta interminável sede de paixão.
quarta-feira, 6 de junho de 2007
sábado, 2 de junho de 2007
Prólogo
Ela existe
cansada
sobre um sofá da sala de estar.
Ela sorri sozinha,
deitada na clara sala de estar,
sobre um sofá
em cujo tecido
existem
pássaros raros, árvores sagradas
e um pequeno e malicioso sorriso
felino
entre flores tóxicas.
Lá ela existe …
Como um tigre cansado
e triste.
cansada
sobre um sofá da sala de estar.
Ela sorri sozinha,
deitada na clara sala de estar,
sobre um sofá
em cujo tecido
existem
pássaros raros, árvores sagradas
e um pequeno e malicioso sorriso
felino
entre flores tóxicas.
Lá ela existe …
Como um tigre cansado
e triste.
1.
Nunca escrevi como uma pessoa de letras. Meus textos sempre surgiram como uma grande paixão, uma convulsão ou um vômito. Nunca entendi como as palavras e as imagens surgiam e nunca tive a pretensão de elaborá-las. Um pouco por preguiça, outro tanto por não querer lançar a forte luz da razão sobre o escuro e profundo mar de onde emergiam estas imagens, estas frases. Para mim a luz de poucas velas é a ideal para revelar poesia. Posso estar próximo à esta pálida luz em alguns textos, devo estar distante em muitos outros…
Durante anos eles ficaram guardados.Há pouco, comecei a lê-los e separá-los, em um destes momentos na vida em que você se pergunta “…afinal de contas quem sou eu? “
E, assim como os antigos liam o futuro nas vísceras dos animais sacrificados, eu comecei a ver algo dentro do remoído e contorcido caos de tantos sentimentos.
Ainda não há a menor ordem em tudo isto, mas quem sabe a matéria, o peso de tinta e papel, um livro, possa dar um pouco mais de solidez ao vento de tantas palavras.
Durante anos eles ficaram guardados.Há pouco, comecei a lê-los e separá-los, em um destes momentos na vida em que você se pergunta “…afinal de contas quem sou eu? “
E, assim como os antigos liam o futuro nas vísceras dos animais sacrificados, eu comecei a ver algo dentro do remoído e contorcido caos de tantos sentimentos.
Ainda não há a menor ordem em tudo isto, mas quem sabe a matéria, o peso de tinta e papel, um livro, possa dar um pouco mais de solidez ao vento de tantas palavras.
Silêncio
Existe um silêncio antigo
quando ouço este silêncio recente
que existe entre nós.
É como um mar inexistente
que habita uma grande concha marinha,
cheia de nada,
que se inventa sozinha,
sonhando sozinha
e que se curva
sobre si mesma
e que é cheia de peixes,
Cavalos marinhos, calmas baleias,
Flores silentes
e as algas salgadas que se embaraçam
pelas nossas almas sozinhas
que se abraçam dentro deste gasoso mar…
E há tristeza e alegria, medo e alegria
quando ouvimos este silêncio recente …
quando ouço este silêncio recente
que existe entre nós.
É como um mar inexistente
que habita uma grande concha marinha,
cheia de nada,
que se inventa sozinha,
sonhando sozinha
e que se curva
sobre si mesma
e que é cheia de peixes,
Cavalos marinhos, calmas baleias,
Flores silentes
e as algas salgadas que se embaraçam
pelas nossas almas sozinhas
que se abraçam dentro deste gasoso mar…
E há tristeza e alegria, medo e alegria
quando ouvimos este silêncio recente …
olhos delicados
Olhos delicados,
como a leve névoa que desvenda
a luz de uma suave manhã,
como o tecido que envolve as palavras de adeus,
como tantos sentimentos
provados, bebidos …
Há uma promessa de vida contida no seu olhar.
Algo como o brilho indizível de uma alma
que derrama a água da vida em corações cansados,
Como seus dedos silenciando os lábios tristes e
Sua voz abrindo as pálpebras fechadas para o dia…
Então, há um rio que corre brilhante,
que leva pétalas, aromas, flores, ervas
e as romãs abertas do destino.
São suas lágrimas escondidas
entre os dedos,
entre tanto amor, entre tanto desespero…
como a leve névoa que desvenda
a luz de uma suave manhã,
como o tecido que envolve as palavras de adeus,
como tantos sentimentos
provados, bebidos …
Há uma promessa de vida contida no seu olhar.
Algo como o brilho indizível de uma alma
que derrama a água da vida em corações cansados,
Como seus dedos silenciando os lábios tristes e
Sua voz abrindo as pálpebras fechadas para o dia…
Então, há um rio que corre brilhante,
que leva pétalas, aromas, flores, ervas
e as romãs abertas do destino.
São suas lágrimas escondidas
entre os dedos,
entre tanto amor, entre tanto desespero…
jasmim
há um tempo:
horas caladas, de claras manhãs,
quando o abraço, as veias quentes,
os músculos cansados
não têm mais o que dizer.
Os seus cabelos cobrem o meu rosto,
Perfumam minha respiração.
Sua cintura é o meu rumo
e as pernas, os joelhos, meus paralelos …
Tudo em você me encanta como em uma fábula,
uma noite perfumada em jasmim.
horas caladas, de claras manhãs,
quando o abraço, as veias quentes,
os músculos cansados
não têm mais o que dizer.
Os seus cabelos cobrem o meu rosto,
Perfumam minha respiração.
Sua cintura é o meu rumo
e as pernas, os joelhos, meus paralelos …
Tudo em você me encanta como em uma fábula,
uma noite perfumada em jasmim.
Chuva
O dia de chuva;
um longo dia de chuva
tenta acordar as esperanças
para outro dia que há por vir.
As águas lavam teus olhos,
as imagens turvas,
tão sozinhas dentro de ti.
(Tudo é tão cinza e denso,
que sinto meus dedos
tocarem os sentimentos…)
De um lado da mesa,
madeira negra, vazia mesa
por onde se deita meu braço,
eu.
Do outro lado, imóvel e quieta,
o outro lado da minha vida,
tu.
A chuva não cessa,
parece que nunca há de acabar;
pouca luz revela,
somente os olhos falam
dos sonhos diluídos
entre as lágrimas de nossos segredos.
um longo dia de chuva
tenta acordar as esperanças
para outro dia que há por vir.
As águas lavam teus olhos,
as imagens turvas,
tão sozinhas dentro de ti.
(Tudo é tão cinza e denso,
que sinto meus dedos
tocarem os sentimentos…)
De um lado da mesa,
madeira negra, vazia mesa
por onde se deita meu braço,
eu.
Do outro lado, imóvel e quieta,
o outro lado da minha vida,
tu.
A chuva não cessa,
parece que nunca há de acabar;
pouca luz revela,
somente os olhos falam
dos sonhos diluídos
entre as lágrimas de nossos segredos.
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