segunda-feira, 30 de julho de 2007

Tokyo

o tecido trançado veste a pele ainda molhada pelo banho,
os longos cabelos negros caem pesados sobre os ombros nus.
músculos rijos, morenos. seios acariciam o algodão …
somente o vestido cobre o corpo,
as pernas soltas, o ar entre as pernas, o perfume de tuas pernas…

ainda deitado, penso nos seixos negros dos jardins secretos.
vejo tantos desejos em teus finos olhos negros.

pela janela
amanhece em Tokyo, anoitece em minha terra…

para isso

paraíso por dentro… fluxos de rios quentes sem nexos.
a língua para isso. o rosa is a rose.
Os deuses ainda estão mortos.
Fora o zeus do teu zás.

3.

eu vivo entre o sol e as luas, os sonhos e o real, tristezas e alegrias.
poucas heras entre as pedras de uma quieta rua...
eu vivo entre os bêbados e as putas, os santos e as loucas,
o agora e o nunca.

as aguas das cidades

homens sozinhos,
guarda-chuvas fechados,
caminham sob a chuva
de um inverno errado.
as portas, caracóis metálicos,
ruidosos e voláteis, fecham imagens:
luzes noturnas, brilhos míopes,
corredores entre gritos de crianças,
cachorros na calçada, gatos nos telhados
e águas infiltradas entre as pedras.
as águas das cidades correm pelas sarjetas,
um brilho sujo e lento...