vem
abre meu peito com teus doces dedos
e arranca de dentro este coração tão cansado.
com carinhos lentos,
com as palmas banhadas em mel,
dilua o sangue intoxicado
e derrama o teu.
vem
como a leve luz que desabrocha
nos primeiros instantes da manhã,
como o vento inesperado
que em uma tarde quente de verão
traz as folhas soltas de outra estação.
vem
com os seios abertos
brancos e belos ...
escorrendo de suas pontas
as lágrimas de teu corpo...
deitando no meu,
o leve tecido do teu.
vem
E acabe com os dias comuns e inúteis
Incendeie meus livros
Inunde minhas roupas
Leve minha cabeça para onde só exista
o que transite por ti ...
Comprometa a minha sanidade
mas sacie esta interminável sede de paixão.
domingo, 10 de junho de 2007
quarta-feira, 6 de junho de 2007
sábado, 2 de junho de 2007
Prólogo
Ela existe
cansada
sobre um sofá da sala de estar.
Ela sorri sozinha,
deitada na clara sala de estar,
sobre um sofá
em cujo tecido
existem
pássaros raros, árvores sagradas
e um pequeno e malicioso sorriso
felino
entre flores tóxicas.
Lá ela existe …
Como um tigre cansado
e triste.
cansada
sobre um sofá da sala de estar.
Ela sorri sozinha,
deitada na clara sala de estar,
sobre um sofá
em cujo tecido
existem
pássaros raros, árvores sagradas
e um pequeno e malicioso sorriso
felino
entre flores tóxicas.
Lá ela existe …
Como um tigre cansado
e triste.
1.
Nunca escrevi como uma pessoa de letras. Meus textos sempre surgiram como uma grande paixão, uma convulsão ou um vômito. Nunca entendi como as palavras e as imagens surgiam e nunca tive a pretensão de elaborá-las. Um pouco por preguiça, outro tanto por não querer lançar a forte luz da razão sobre o escuro e profundo mar de onde emergiam estas imagens, estas frases. Para mim a luz de poucas velas é a ideal para revelar poesia. Posso estar próximo à esta pálida luz em alguns textos, devo estar distante em muitos outros…
Durante anos eles ficaram guardados.Há pouco, comecei a lê-los e separá-los, em um destes momentos na vida em que você se pergunta “…afinal de contas quem sou eu? “
E, assim como os antigos liam o futuro nas vísceras dos animais sacrificados, eu comecei a ver algo dentro do remoído e contorcido caos de tantos sentimentos.
Ainda não há a menor ordem em tudo isto, mas quem sabe a matéria, o peso de tinta e papel, um livro, possa dar um pouco mais de solidez ao vento de tantas palavras.
Durante anos eles ficaram guardados.Há pouco, comecei a lê-los e separá-los, em um destes momentos na vida em que você se pergunta “…afinal de contas quem sou eu? “
E, assim como os antigos liam o futuro nas vísceras dos animais sacrificados, eu comecei a ver algo dentro do remoído e contorcido caos de tantos sentimentos.
Ainda não há a menor ordem em tudo isto, mas quem sabe a matéria, o peso de tinta e papel, um livro, possa dar um pouco mais de solidez ao vento de tantas palavras.
Silêncio
Existe um silêncio antigo
quando ouço este silêncio recente
que existe entre nós.
É como um mar inexistente
que habita uma grande concha marinha,
cheia de nada,
que se inventa sozinha,
sonhando sozinha
e que se curva
sobre si mesma
e que é cheia de peixes,
Cavalos marinhos, calmas baleias,
Flores silentes
e as algas salgadas que se embaraçam
pelas nossas almas sozinhas
que se abraçam dentro deste gasoso mar…
E há tristeza e alegria, medo e alegria
quando ouvimos este silêncio recente …
quando ouço este silêncio recente
que existe entre nós.
É como um mar inexistente
que habita uma grande concha marinha,
cheia de nada,
que se inventa sozinha,
sonhando sozinha
e que se curva
sobre si mesma
e que é cheia de peixes,
Cavalos marinhos, calmas baleias,
Flores silentes
e as algas salgadas que se embaraçam
pelas nossas almas sozinhas
que se abraçam dentro deste gasoso mar…
E há tristeza e alegria, medo e alegria
quando ouvimos este silêncio recente …
olhos delicados
Olhos delicados,
como a leve névoa que desvenda
a luz de uma suave manhã,
como o tecido que envolve as palavras de adeus,
como tantos sentimentos
provados, bebidos …
Há uma promessa de vida contida no seu olhar.
Algo como o brilho indizível de uma alma
que derrama a água da vida em corações cansados,
Como seus dedos silenciando os lábios tristes e
Sua voz abrindo as pálpebras fechadas para o dia…
Então, há um rio que corre brilhante,
que leva pétalas, aromas, flores, ervas
e as romãs abertas do destino.
São suas lágrimas escondidas
entre os dedos,
entre tanto amor, entre tanto desespero…
como a leve névoa que desvenda
a luz de uma suave manhã,
como o tecido que envolve as palavras de adeus,
como tantos sentimentos
provados, bebidos …
Há uma promessa de vida contida no seu olhar.
Algo como o brilho indizível de uma alma
que derrama a água da vida em corações cansados,
Como seus dedos silenciando os lábios tristes e
Sua voz abrindo as pálpebras fechadas para o dia…
Então, há um rio que corre brilhante,
que leva pétalas, aromas, flores, ervas
e as romãs abertas do destino.
São suas lágrimas escondidas
entre os dedos,
entre tanto amor, entre tanto desespero…
jasmim
há um tempo:
horas caladas, de claras manhãs,
quando o abraço, as veias quentes,
os músculos cansados
não têm mais o que dizer.
Os seus cabelos cobrem o meu rosto,
Perfumam minha respiração.
Sua cintura é o meu rumo
e as pernas, os joelhos, meus paralelos …
Tudo em você me encanta como em uma fábula,
uma noite perfumada em jasmim.
horas caladas, de claras manhãs,
quando o abraço, as veias quentes,
os músculos cansados
não têm mais o que dizer.
Os seus cabelos cobrem o meu rosto,
Perfumam minha respiração.
Sua cintura é o meu rumo
e as pernas, os joelhos, meus paralelos …
Tudo em você me encanta como em uma fábula,
uma noite perfumada em jasmim.
Chuva
O dia de chuva;
um longo dia de chuva
tenta acordar as esperanças
para outro dia que há por vir.
As águas lavam teus olhos,
as imagens turvas,
tão sozinhas dentro de ti.
(Tudo é tão cinza e denso,
que sinto meus dedos
tocarem os sentimentos…)
De um lado da mesa,
madeira negra, vazia mesa
por onde se deita meu braço,
eu.
Do outro lado, imóvel e quieta,
o outro lado da minha vida,
tu.
A chuva não cessa,
parece que nunca há de acabar;
pouca luz revela,
somente os olhos falam
dos sonhos diluídos
entre as lágrimas de nossos segredos.
um longo dia de chuva
tenta acordar as esperanças
para outro dia que há por vir.
As águas lavam teus olhos,
as imagens turvas,
tão sozinhas dentro de ti.
(Tudo é tão cinza e denso,
que sinto meus dedos
tocarem os sentimentos…)
De um lado da mesa,
madeira negra, vazia mesa
por onde se deita meu braço,
eu.
Do outro lado, imóvel e quieta,
o outro lado da minha vida,
tu.
A chuva não cessa,
parece que nunca há de acabar;
pouca luz revela,
somente os olhos falam
dos sonhos diluídos
entre as lágrimas de nossos segredos.
Assinar:
Postagens (Atom)