segunda-feira, 2 de junho de 2008

8.

o olhar que segue a fugitiva paisagem
através da janela do trem

os dedos que tramam as linhas dentro do tecido
que vai ser roupa e aquecer

o menino que bate bola no paredão
o sono do cachorro
a primeira hora da manhã
a tarde de domingo
o último gole da madrugada
o homem que fala para a multidão

o operário que caminha para uma cama vazia
o corpo que cai após o gozo
o rosto que vira de lado
as lágrimas escondidas da mulher

o espelho que reflete um desconhecido
que pertence a um sonho que não é seu
as letras escritas em uma carta de adeus

o único segundo
o último centavo
os sussurros nas igrejas
a confissão, o crime, o lamento,
o segredo forjado em um instante ...

os olhos que, entre sangue, urina e placenta,
olham-se pela primeira vez

o filho,
o respiro
a chuva fustigando o tempo
o mergulho nas escuras águas do mar
as árvores mais velhas das longínquas florestas
o primeiro astronauta, a mulher, quem escreve, o destino.

estar em pé ...

viver é só.

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